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Derivativos e o Futuro do Mercado da Energia Elétrica

Os derivativos são uma forma de proteger agentes do setor elétrico através de contratos firmados para compra e venda de energia. Com grandes empresas entrando para realizar operações estruturadas no mercado de energia, a expectativa é que os contratos financeiros sejam cada vez mais comuns e com maior liquidez.

A energia elétrica é um insumo básico necessário para as empresas manterem a sua capacidade produtiva. Qualquer variação brusca em seu preço afeta o mercado em cascata, principalmente indústrias eletrointensivas, que possuem uma dependência ainda maior em relação à competitividade do negócio frente ao preço da energia.

 

Nos últimos anos ocorreram diversas oscilações no mercado de energia, devido à: crise hídrica, pandemia e escassez de produção de petróleo por embargos à Rússia.  Portanto, existe a necessidade de proteção em relação à volatilidade da compra e venda de energia em meio a diversos fatores influenciadores de preço.

 

Com o processo de desregulamentação do setor elétrico, abertura para mercado livre e intempéries de mercado (flutuações de consumo, câmbio e escassez hídrica), iniciou-se a estruturação da energia como uma ‘commodity’ apresentando maiores possibilidades de negociação no mercado B2B e consequente o surgimento de derivativos. Esta expansão foi sustentada pelo mercado livre de energia, facilitando a negociação entre agentes, e será regida pelo comércio varejo nos próximos anos, seja ele B2C ou por aglutinação de carga.

O mercado de derivativos de energia elétrica.

Os derivativos são contratos financeiros onde o preço deriva de um ativo subjacente,  seja ele câmbio, ‘commodities’, índices, taxas de juros, ações ou nesse caso energia elétrica.No caso dos derivativos de energia elétrica, o ativo subjacente é o PLD, o Preço de Liquidação das Diferenças, publicado pela CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica).

Simplificando, o PLD é um indicador da relação entre oferta e demanda de energia no mercado brasileiro. O PLD serve como referência para os preços no mercado livre de energia no mercado de curto prazo.

Já os derivativos são comumente atrelados à liquidação financeira, mas no caso da energia podem ser vinculados a entrega física da mercadoria. O resultado obtido pela diferença entre o preço acordado e o preço de mercado do ativo.

Podem ser negociados por comercializadores, geradores e consumidores. São ferramentas para controle e proteção de mercado, utilizados por quem busca reduzir as incertezas frente às oscilações do preço do ativo, tática conhecida como “hedge”, mas também podem ser utilizados para se posicionar nesse ativo com fim de gerar lucro do resultado do comportamento dos preços. 

Modalidades de Derivativos de Energia

Contrato Futuro

Representa o compromisso de comprar ou vender um ativo por um determinado preço em uma data no futuro.

Todos os contratos futuros que os investidores mantêm são avaliados diariamente a partir de um preço de referência, chamado preço de ajuste diário. Com isso, na prática, as operações são ajustadas diariamente conforme as expectativas do mercado para o preço futuro do ativo de referência do contrato.

Contratos “à Termo”

São operações de negociação onde é possível travar o preço de um ativo para ser liquidado em uma data futura. Quem compra um contrato a termo se compromete a comprar uma mercadoria ou um ativo financeiro, em uma quantidade determinada, por um preço estabelecido desde o momento da negociação, para liquidação em uma data.

Opções

As opções são o direito de negociar um ativo por um preço fixo numa data futura. Para comprar uma opção, é preciso pagar um valor a quem vendeu chamado prêmio. Não se trata do preço do ativo em si, mas sim um valor pago para ter a possibilidade de comprar ou vender o ativo futuramente.

Swap

É uma modalidade de contrato utilizado para trocar rentabilidade entre dois ativos, por um determinado período. Essa troca segue como base a comparação entre dois indexadores, índices de inflação, de ações, taxas de juros, taxa de câmbio, etc.

Exemplos de Cenários aplicados

Para demonstrar como o mercado de derivativos pode ser uma ótima opção para quem deseja se proteger da volatilidade do mercado, realizamos uma simulação de um contrato de longo prazo negociado no início do PLD horário (onde o mercado começou a precificar o PLD conforme o horário da demanda, sendo que antes deste período era precificado semanalmente).

Nesta simulação assumimos um valor de contrato de longo prazo, cuja somatória dos valores das diferenças entre o contrato e o mercado para o período analisado foi zero. Assim o valor “flat” indicado de R$ 212,12 representa prejuízo para o contratante caso o PLD esteja precificado abaixo deste valor e lucro caso este sub precificado em relação a PLD.

Cenários de baixa volatilidade e preço geralmente representam o melhor momento para um contrato Hedge, pois ajustam a previsibilidade tanto de geradores quanto de consumidores. No gráfico exposto houve momentos  de elevada volatilidade (R$/MWh) atrelada a subida abrupta do preço. Nesta fase, os contratos atrairão maiores riscos aos agentes.

Contratos Financeiro versos contratos  Físicos

No mercado de derivativos as liquidações podem acontecer de duas maneiras, através de uma liquidação financeira ou a liquidação com a entrega do produto, nesse caso a energia. 

Nos contratos financeiros não é necessária a entrega física da energia, a negociação é liquidada pela diferença entre o preço fixado e o negociado, é realizado na administradora de mercado e acontece no momento da negociação e o risco é bilateral. Por se tratarem de contratos financeiros, não é necessário o registro na CCEE, as negociações podem acontecer através do mercado de balcão  quanto em bolsa de valores.

 

Para os contratos físicos, necessariamente envolve a entrega física da energia, a negociação é liquidada pelo valor integral do contrato. Todos devem ser registrados na CCEE e o registro deve acontecer até o sexto dia útil do mês seguinte ao da geração ou do consumo. Os riscos de créditos são bilaterais e envolvem outros riscos associados ao MCP (GSF, insuficiência de lastro, rateio de inadimplência).

Mercado de Curto Prazo

Conhecido como MCP ou mercado ‘spot’, é o momento onde consumidores e geradores realizam ajustes e estratégias para alcançarem o balanço energético mensal, seja comprando ou vendendo energia, esse período acontece entre o 1° e o 6° dia útil de cada mês e é um momento de ajuste entre a energia disponível e necessária para fechar o mês para realizar suas operações. O MCP é baseado no valor de negociação do PLD acrescido de uma taxa de operação. A exposição pode ser uma estratégia, porém está sujeita às intempéries de mercado. É importante salientar que o consumo de curto prazo acontece quando existe excesso ou falta de energia. 

Contratos de Longo Prazo

No Ambiente de Contratação Livre, é possível comprar energia de um ou mais agentes, seja através de um contrato de alguns meses até anos, essa modalidade de contrato garante condições mais estáveis em relação à (custos) e reajustes da energia elétrica, ou seja, maior previsibilidade de custos. Uma boa estratégia de gestão energética integra um bom dimensionamento de carga aliada com o período de negociação do mesmo.

Negociar derivativos exige ter uma conta em uma corretora de valores. Essas instituições realizam a intermediação das operações no pregão da B3. Para o caso específico desse mercado, vale a pena considerar alguns aspectos em especial.

Por que os Derivativos são o Futuro do mercado elétrico?

A experiência internacional demonstra que derivativos provêm maior liquidez ao mercado de energia, o que é um elemento fundamental para agregar valor e dar segurança nas operações de todos os envolvidos na cadeia, do consumo à geração. 

A prática é comum em diversos países, o uso de derivativos contribui para melhorar a gestão de riscos, a formação de preços e ampliar a competição no mercado, atraindo recursos, principalmente de agentes financeiros interessados em produtos de energia. No caso da Alemanha, o volume de energia negociado é onze vezes maior que o consumo.

O que podemos perceber é que derivativos de energia elétrica são mais uma solução para aumentar a liquidez do mercado elétrico, proteção de agentes, mas principalmente atração de novos stakeholders que não querem se envolver com a entrega física da energia, como no caso de bancos e grandes fundos.

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